Dosagem de Ipamorelina: protocolos por objetivo, timing e ciclo

Os protocolos de ipamorelina são majoritariamente relatados pela comunidade; a farmacocinética humana (meia-vida ~2 h, pico de GH ~0,67 h) é o que ancora o timing. Este guia reúne os tiers por objetivo, o racional de jejum e horário, o ciclo e a matemática de reconstituição — em registro de referência, não prescrição.

Em revisão
Compilado por Equipe PeptiScience · Atualizado em 12 de julho de 2026

Conteúdo educacional que compila a literatura publicada e protocolos atribuídos. Não constitui recomendação de uso, prescrição nem aconselhamento médico.

+21Conteúdo exclusivamente educacional.Não vendemos nem intermediamos a compra de substâncias — e as informações não substituem orientação profissional.

A dosagem da ipamorelina descrita na prática é majoritariamente derivada da comunidade: não há dose humana estabelecida em ensaio para otimização de GH, composição corporal ou sono. O que dá base ao timing é a farmacocinética humana — a modelagem PK/PD de voluntários (Gobburu 1999) mostra meia-vida terminal de ~2 h e um único pulso de GH com pico em ~0,67 h após a dose.[2]

A ipamorelina é descrita como um dos GHRPs mais seletivos: em modelos animais libera GH sem elevar ACTH ou cortisol, mesmo acima de 200× a ED50 para GH (Raun 1998). Essa seletividade sustenta seu uso em protocolos prolongados e como parceira de combinação com um peptídeo GHRH.[1]

Protocolos por objetivo

Os tiers abaixo espelham a seção de dosagem do perfil e são relatados pela comunidade — não são recomendação de uso. Todos por via subcutânea, em jejum.

Protocolos de ipamorelina por objetivo (relatado pela comunidade)
ObjetivoDoseFrequênciaCiclo
Hormônio do crescimento / Perda de gordura300 mcg5 dias com, 2 dias sem8 semanas com, 8 semanas sem
Iniciante — otimização de GH / sono100 mcg1×/dia (antes de dormir)12 semanas com, 4 semanas sem
Intermediário — recomposição200 mcg2×/dia (em jejum)8 semanas com, 8 semanas sem
Avançado — pulso máximo de GH300 mcgaté 3×/dia (em jejum)8 semanas com, 8 semanas sem

O tier iniciante costuma manter a mesma dose na indução e na manutenção; os tiers intermediário e avançado aumentam a frequência (não apenas a dose) para acompanhar mais janelas de pulso de GH ao longo do dia.

Por que o timing importa

Antes de dormir é a aplicação prioritária: o maior pulso natural de GH ocorre cerca de 1 hora após o início do sono, e a ipamorelina amplifica pulsos existentes em vez de iniciá-los. Uma segunda aplicação, quando usada, costuma ser pela manhã em jejum.

O jejum é o ponto que mais falha na prática: a insulina eleva a somatostatina, que atenua a resposta de GH. O padrão relatado é 2+ horas sem alimento antes da aplicação e cerca de 30 minutos sem alimento depois. A meia-vida curta (~2 h) permite esse padrão pulsátil, aproximando-se do ritmo natural de secreção de GH.[2]

Ciclo

Dois esquemas de ciclo aparecem nos relatos: 8 semanas com / 8 semanas sem (tiers de recomposição) e 12 semanas com / 4 semanas sem (tier iniciante), às vezes com uma cadência semanal de 5 dias com / 2 dias sem dentro do período de uso. O ciclo é descrito como precaucional — não há dado de RCT sobre dessensibilização específica da ipamorelina em humanos; por sua seletividade sobre o receptor GHS-R1a, o risco relatado é menor que o de outros GHRPs.

Como usar (passo a passo)

  1. Reconstituir: adicionar a água bacteriostática deixando escorrer pela parede do frasco (nunca diretamente sobre o pó); girar suavemente até dissolver.
  2. Calcular as unidades na seringa de insulina U-100 a partir da concentração do frasco (ver a tabela de reconstituição abaixo).
  3. Confirmar o jejum: ao menos 2 horas sem alimento antes da aplicação.
  4. Higienizar o local (abdome, evitando a região do umbigo) e alternar os pontos a cada aplicação.
  5. Aplicar por via subcutânea; quando combinada com CJC-1295 sem DAC, a co-aplicação no mesmo horário é o padrão relatado.
  6. Sem alimento por cerca de 30 minutos após a aplicação; refrigerar o frasco reconstituído em seguida.

Reconstituição e unidades

A matemática assume seringas de insulina U-100 (1 mL = 100 unidades). Confirme a concentração do seu frasco antes de dosar.

Reconstituição e unidades na seringa U-100
Frasco + diluenteConcentração100 mcg200 mcg300 mcg
10 mg + 3 mL de água bacteriostática≈3.333 mcg/mL3 unidades6 unidades9 unidades
5 mg + 2 mL de água bacteriostática2.500 mcg/mL4 unidades8 unidades12 unidades

Base farmacocinética

A modelagem PK/PD em voluntários humanos (Gobburu 1999, 8 homens saudáveis por dose, infusões IV) estabeleceu meia-vida terminal de ~2 h, farmacocinética dose-proporcional e um único episódio de liberação de GH com pico em ~0,67 h. O estudo não mediu biodisponibilidade subcutânea nem um teto de dose — alegações de "~95% SC" ou "teto de 300–400 mcg" atribuídas a ele não se sustentam nesse artigo.[2]

Contexto de evidência

Os protocolos acima não têm eficácia comprovada em ensaio para composição corporal ou sono. O único RCT humano de eficácia concluído com ipamorelina avaliou íleo pós-operatório (Beck 2014, fase 2, 117 participantes, 0,03 mg/kg por via intravenosa 2×/dia) e não atingiu o desfecho primário (25,3 h vs 32,6 h; p=0,15). Ou seja: a dosagem subcutânea para GH é relatada pela comunidade, não validada por ensaio.[3]

Peptídeo referenciado

Fontes

  1. [1]Ipamorelin, the first selective growth hormone secretagogue (Eur J Endocrinol, 1998) PubMed
  2. [2]Pharmacokinetic-pharmacodynamic modeling of ipamorelin in human volunteers (Pharm Res, 1999) PubMed
  3. [3]Proof-of-concept study of ipamorelin for postoperative ileus (Int J Colorectal Dis, 2014) PubMed

Literatura citada. A inclusão de um estudo não implica endosso de uso.