Dosagem de Ipamorelina: protocolos por objetivo, timing e ciclo
Os protocolos de ipamorelina são majoritariamente relatados pela comunidade; a farmacocinética humana (meia-vida ~2 h, pico de GH ~0,67 h) é o que ancora o timing. Este guia reúne os tiers por objetivo, o racional de jejum e horário, o ciclo e a matemática de reconstituição — em registro de referência, não prescrição.
Conteúdo educacional que compila a literatura publicada e protocolos atribuídos. Não constitui recomendação de uso, prescrição nem aconselhamento médico.
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A dosagem da ipamorelina descrita na prática é majoritariamente derivada da comunidade: não há dose humana estabelecida em ensaio para otimização de GH, composição corporal ou sono. O que dá base ao timing é a farmacocinética humana — a modelagem PK/PD de voluntários (Gobburu 1999) mostra meia-vida terminal de ~2 h e um único pulso de GH com pico em ~0,67 h após a dose.[2]
A ipamorelina é descrita como um dos GHRPs mais seletivos: em modelos animais libera GH sem elevar ACTH ou cortisol, mesmo acima de 200× a ED50 para GH (Raun 1998). Essa seletividade sustenta seu uso em protocolos prolongados e como parceira de combinação com um peptídeo GHRH.[1]
Protocolos por objetivo
Os tiers abaixo espelham a seção de dosagem do perfil e são relatados pela comunidade — não são recomendação de uso. Todos por via subcutânea, em jejum.
| Objetivo | Dose | Frequência | Ciclo |
|---|---|---|---|
| Hormônio do crescimento / Perda de gordura | 300 mcg | 5 dias com, 2 dias sem | 8 semanas com, 8 semanas sem |
| Iniciante — otimização de GH / sono | 100 mcg | 1×/dia (antes de dormir) | 12 semanas com, 4 semanas sem |
| Intermediário — recomposição | 200 mcg | 2×/dia (em jejum) | 8 semanas com, 8 semanas sem |
| Avançado — pulso máximo de GH | 300 mcg | até 3×/dia (em jejum) | 8 semanas com, 8 semanas sem |
O tier iniciante costuma manter a mesma dose na indução e na manutenção; os tiers intermediário e avançado aumentam a frequência (não apenas a dose) para acompanhar mais janelas de pulso de GH ao longo do dia.
Por que o timing importa
Antes de dormir é a aplicação prioritária: o maior pulso natural de GH ocorre cerca de 1 hora após o início do sono, e a ipamorelina amplifica pulsos existentes em vez de iniciá-los. Uma segunda aplicação, quando usada, costuma ser pela manhã em jejum.
O jejum é o ponto que mais falha na prática: a insulina eleva a somatostatina, que atenua a resposta de GH. O padrão relatado é 2+ horas sem alimento antes da aplicação e cerca de 30 minutos sem alimento depois. A meia-vida curta (~2 h) permite esse padrão pulsátil, aproximando-se do ritmo natural de secreção de GH.[2]
Ciclo
Dois esquemas de ciclo aparecem nos relatos: 8 semanas com / 8 semanas sem (tiers de recomposição) e 12 semanas com / 4 semanas sem (tier iniciante), às vezes com uma cadência semanal de 5 dias com / 2 dias sem dentro do período de uso. O ciclo é descrito como precaucional — não há dado de RCT sobre dessensibilização específica da ipamorelina em humanos; por sua seletividade sobre o receptor GHS-R1a, o risco relatado é menor que o de outros GHRPs.
Como usar (passo a passo)
- Reconstituir: adicionar a água bacteriostática deixando escorrer pela parede do frasco (nunca diretamente sobre o pó); girar suavemente até dissolver.
- Calcular as unidades na seringa de insulina U-100 a partir da concentração do frasco (ver a tabela de reconstituição abaixo).
- Confirmar o jejum: ao menos 2 horas sem alimento antes da aplicação.
- Higienizar o local (abdome, evitando a região do umbigo) e alternar os pontos a cada aplicação.
- Aplicar por via subcutânea; quando combinada com CJC-1295 sem DAC, a co-aplicação no mesmo horário é o padrão relatado.
- Sem alimento por cerca de 30 minutos após a aplicação; refrigerar o frasco reconstituído em seguida.
Reconstituição e unidades
A matemática assume seringas de insulina U-100 (1 mL = 100 unidades). Confirme a concentração do seu frasco antes de dosar.
| Frasco + diluente | Concentração | 100 mcg | 200 mcg | 300 mcg |
|---|---|---|---|---|
| 10 mg + 3 mL de água bacteriostática | ≈3.333 mcg/mL | 3 unidades | 6 unidades | 9 unidades |
| 5 mg + 2 mL de água bacteriostática | 2.500 mcg/mL | 4 unidades | 8 unidades | 12 unidades |
Base farmacocinética
A modelagem PK/PD em voluntários humanos (Gobburu 1999, 8 homens saudáveis por dose, infusões IV) estabeleceu meia-vida terminal de ~2 h, farmacocinética dose-proporcional e um único episódio de liberação de GH com pico em ~0,67 h. O estudo não mediu biodisponibilidade subcutânea nem um teto de dose — alegações de "~95% SC" ou "teto de 300–400 mcg" atribuídas a ele não se sustentam nesse artigo.[2]
Contexto de evidência
Os protocolos acima não têm eficácia comprovada em ensaio para composição corporal ou sono. O único RCT humano de eficácia concluído com ipamorelina avaliou íleo pós-operatório (Beck 2014, fase 2, 117 participantes, 0,03 mg/kg por via intravenosa 2×/dia) e não atingiu o desfecho primário (25,3 h vs 32,6 h; p=0,15). Ou seja: a dosagem subcutânea para GH é relatada pela comunidade, não validada por ensaio.[3]
Fontes
- [1]Ipamorelin, the first selective growth hormone secretagogue (Eur J Endocrinol, 1998) — PubMed
- [2]Pharmacokinetic-pharmacodynamic modeling of ipamorelin in human volunteers (Pharm Res, 1999) — PubMed
- [3]Proof-of-concept study of ipamorelin for postoperative ileus (Int J Colorectal Dis, 2014) — PubMed
Literatura citada. A inclusão de um estudo não implica endosso de uso.